O ex-presidente americano Bill Clinton ganhou um total de 65 milhões de dólares (quase 60 milhões de euros) no circuito de conferências desde que saiu da Casa Branca, soube a imprensa americana através da informação incluída na declaração de rendimentos da secretária de Estado Hillary Clinton.
Só no ano passado, Bill Clinton ganhou 7,5 milhões de dólares (cerca de seis milhões de euros) em 36 intervenções públicas, o que equivale a uma média de 200 mil dólares por conferência. Ao todo, e desde que saiu da presidência, em 2001, Clinton participou em 365 conferências, mas o ano mais lucrativo foi o de 2007, com mais de dez milhões de dólares ganhos em 57 discursos públicos (média superior a um por semana).
A possível explicação para a redução de rendimentos estará no facto de a nomeação da sua mulher, Hillary, para a chefia da diplomacia americana, em 2008, ter incluído um acordo envolvendo o ex-presidente, segundo o qual Bill Clinton se comprometeu a ver aprovadas por uma comissão de ética todas as suas aparições pagas. O objectivo deste procedimento foi o de evitar conflitos de interesses. O ex-presidente também esteve muito activo na campanha presidencial da sua mulher, em 2008, o que impediu a sua actividade de conferencista.
O património dos Clinton está avaliado em mais de 51 milhões de dólares, excluindo o valor da residência. A lei não exige que esta tenha o seu valor divulgado.
Analisando por países os rendimentos do circuito de conferências do ex-presidente, verifica-se que dois terços dos 65 milhões foram ganhos no exterior, num total de 197 intervenções em 45 países, incluindo Portugal. (Sobre a passagem de Clinton pelo nosso país, ver entrevista na última página, com António Cunha Vaz, que organizou o evento.)
Nos países visitados, o mais lucrativo para Clinton foi o Canadá, com 50 discursos e 8,4 milhões de dólares ganhos. Isto inclui a conferência mais cara do ex-presidente, com um custo de meio milhão de dólares. Na divisão por países, o Reino Unido está em segundo lugar, com 16 eventos diferentes e uma facturação de 3,2 milhões de dólares. Seguem-se Alemanha, Austrália e México.
Bill Clinton é apenas um dos políticos retirados que facturam fortunas no circuito internacional das conferências. Tony Blair, Mikhail Gorbachev e Al Gore são nomes proeminentes, este último devido à sua defesa da tese das alterações climáticas, que influenciou decisões políticas recentes.