A luz – luzinha ou não – surgiu com o aparecimento do mundo e foi idealizada e materializada por um Ser Superior. Reza a Bíblia que Deus construiu o mundo em seis dias e que no sétimo optou pelo descanso. De acordo com o livro sagrado, o trabalho cimeiro que o Senhor fez, logo no primeiro dia da edificação do seu Universo, foi o da criação e separação da luz e da treva.Tal proeza aconteceu antes da criação da luz do sol, das estrelas, da lua, do arco íris, do relâmpago e dos nossos próprios olhos, que nos facilita aperceber e reconhecer a presença de muitas luzes de origem divina e de tantas outras artificiais, incluindo as emitidas a partir dos chamados objectos frios (luminescência) como por exemplo as lâmpadas florescentes, os mostradores luminosos, os receptores de televisão, entre várias outras. Esta “luzinha sobre coisas obscuras” não pretende ser luz mãe e protectora e, tão pouco, luz divina. Trata-se, apenas, de uma “luzinha radiante” que procura abrir o “caminho” sob a “mata”, que promete novidades e garante posicionar-se, de forma solidária, com outras “luzinhas” que abundam por esta terra e que têm, coincidentemente, como aposta e desafio, a nobre e patriótica missão de batalhar contra a penumbra social, política e cultural e lutar contra a casmurrice, a birra, a churria de quem tudo pode e o comportamento atormentado e perturbado. Este espaço quer situar-se, igualmente, em desfavor daqueles que pensam estar protegidos por forças sobrenaturais, impregnados de ideias de Santidade e que por causa disso e não só, insistem em fazer culto esmerado da sua personalidade e discurso velado de auto-proclamação da sua pureza.Esta “luzinha” quer manter sempre acesa a chama da paz, conservar a fé como o seu mais alto pedestal, preservar o amor acima de tudo, manter vivo e radiante o farol da esperança e gozar de felicidade e longa vida. Trata-se de uma “luzinha” que não se propaga através de ondas electromagnéticas mas que, lá do “fundo do túnel”, vai, com a sua modesta e humilde radiação, buscar a necessária coragem, audácia e determinação, para investigar as sombras e o seu tamanho, examinar a penumbra e as suas causas e indagar os factores que estão na origem do surgimento de certas “trevas” e “escuridão”, de algumas coisas encobertas e pouco claras, que circulam, no quotidiano das nossas ilhas. Queremos uma “luzinha”, avessa à ociosidade pelo poder a qualquer preço, ao espírito maldoso e destrutivo, à histeria mediática, às ideias retocadas e recauchutadas e contra todos aqueles que procuram exercer a sua ‘faina piscatória” em “águas” turvas e turbulentas.Queremos uma “luzinha”que não concorda com a ideia do “poder eterno”, que não aceita o argumento de que, com a realização de obras sociais e infra-estruturas de vulto, o poder torna-se garantido e que não aceita, também, a conhecida atitude que ignora e menospreza o sábio provérbio popular que diz: “kaminhu lonji ta andadu di bespa”. Lutamos por uma “luzinha” que valorize as transformações positivas que se operam em Cabo Verde, no seu dia-a-dia, que esconjure os “feiticeiros” e “bruxos” da desgraça e todos aqueles que, com malevolência, andam a pregar e a festejar com o que chamam de desemprego generalizado, pobreza franciscana, multiplicação de “Lázaros” por todo o lado e vida azeda e complicada nas aldeias e povoados da nossa terra. Que ideia mais falsa! Que desonestidade política de permeio! Que descarada manipulação e desinformação! Contra a desonestidade deste tipo, a nossa “luzinha” vai marchar e marchar sempre.Batalhamos por uma “luzinha” em prol do diálogo e da negociação, que favoreça os sagrados e supremos interesses do país, contra qualquer comportamento ditatorial da maioria e contra qualquer atitude de bloqueamento abusivo e desnecessário, exercido pela minoria. Afinal de contas, esta “luzinha” é uma amiguinha e uma companheira fiel e segura de todos os momentos. Ela não é divina e nem artificial. Por isso, no que respeita à luz propriamente dita, esta “luzinha” não quer preocupar-se, por enquanto, com nada. Não quer saber, por ora, de fotões, de cumprimento de onda, de velocidade, de propagação, de refracção, de ângulo de incidência, de raio, de reflexão e de coisa alguma. Quer, sinceramente, ser linda, acarinhada, protegida, respeitada, cheio de múltiplas e variadas novidades e à medida de “uma luzinha sobre coisas obscuras”.
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